SOBRE O COLÉGIO DE SANTA ÁGUEDA

         O Colégio de Santa Águeda é uma instituição que desde sua fundação tenta atuar na vida dos indivíduos a partir da religiosidade implantando valores, concepções e formando cidadãos.

        O Colégio possuía a nomenclatura Colégio Santa Águeda, hoje o nome da Instituição passou por uma pequena mudança passando a se chamar de Colégio de Santa Águeda por uma determinação da Madre Superiora da congregação (Madre Cavalcante).
Especialista em História do Brasil com ênfase na docência superior.

O colégio surgiu da necessidade da sociedade de Ceará-Mirim, de resguardar, educar e implantar valores para as jovens da época sabendo que muitas destas meninas eram da elite, que procurava um ensino diferencial das outras camadas. E era o sonho para as jovens do município estudar na instituição, pois seriam bem vistas e consequentemente teriam um futuro diferenciado. Sabe-se que existem elementos marcantes que fazem parte de uma instituição e o Colégio abordado não quebra tais regras. O elemento de ênfase é o saber, sendo importante ressaltar que através deste, nos lançamos para novos rumos, que nos revelam meios de crescimento.

O referido colégio faz parte da Congregação de Nossa senhora do Bom Conselho fundado por Frei Caetano de Messina, da ordem dos Franciscanos, que nasceu em Castânea (Sicília), na Itália, este deixou na Itália uma excelente estrutura. Em 11 de setembro de 1841, veio para a cidade do Recife trazendo um grupo de intrépidos missionários para proliferar a fé. No inicio Frei Caetano de Messina fundou em Bom Conselho um orfanato, e o lema do Frei era a "menina dos olhos dele" para proteger jovens que ficavam a mercê de fazendeiros e eram vítimas de abusos sexuais, este orfanato era destinado principalmente para moças pobres e sem instrução. A sua estrutura foi construída com a ajuda da população, pois o Frei Caetano de Messina não tinha muitos recursos, fundando a congregação com apenas quatro freiras, que passaram a ensinar as jovens bordado, corte e costura, e as primeiras letras. A instituição tinha o objetivo de passar uma educação fincada em bases religiosas, protegendo a integridade das moças que passaram a frequentá-la auxiliando no desenvolvimento de sua formação.

O colégio Santa Águeda fixou-se na região do vale do Ceará - Mirim com o objetivo de instaurar este sistema educacional com bases religiosa e disciplinar, para a formação das jovens da cidade. Este foi fundado em 14 de Abril de 1937 pelo decreto Diocesano de 26 de novembro de 1936 que diz que:

"Aos que o presente Decreto virem paz e benção no senhor. (...) Havemos por bem crear, na cidade de Ceará – Mirim, um Collegio Catholico, sob a direção de religiosas que ficará subordinado à Nossa Jurisdição(...)" (Jornal da Ordem, 1937, num 500) , e o Major José Onofre Soares transferiu o seu prédio para as irmãs, e a Madre Gabriela, religiosa da congregação que saiu de Bom Conselho, interior de Pernambuco com esta pretensão de repassar valores para a sociedade sendo esta muito importante para o surgimento do Colégio, antes de ser diretora do Ginásio , administrou outros colégios da Congregação, a inauguração da instituição era velha aspiração do povo da cidade de Ceará – Mirim, e foi concretizada graças ao Sr. Mirabeau da Cunha Melo que na época era Prefeito da cidade que solicitou ao Bispo D. Marcolino Dantas que o ajudasse na implantação de uma escola religiosa dedicada a meninas, Vale salientar que as escolas religiosas foram implantadas pelo Bispo sendo vinculado a projetos sociais e isto era na época algo natural já que o governo não tinha muitas estruturas para investir na educação, este trouxe para o Estado do Rio Grande do Norte além do Colégio Santa Àgueda, outras instituições religiosas que cuidaram da educação religiosa dos indivíduos outros exemplos são, o Maristela, o Salesiano e o das Neves foram escolas que surgiram com esta destinação, o Padre Celso Cicco que estava à frente da paróquia de Ceará – Mirim também auxiliou na implantação da instituição.

É possível perceber que o Colégio foi e continua sendo o único colégio da cidade voltado para um ensino religioso, aplicando seu ensino de maneira peculiar, seus conhecimentos voltados para a formação do indivíduo dando ênfase em sua vida religiosa como cidadão. O Colégio sempre se encontrou próximo a Praça Barão de Ceará – Mirim, mas o prédio não é o de sua fundação, este foi erguido no ano de 1953 , com a ajuda de Café Filho importante político da época que exercia o cargo de vice-presidente da república e que após suicídio de Getulio Vargas em 24 de Agosto de 1954, se tornou presidente.

O Ginásio foi residência do Dr. José Inácio Fernandes de Barros, sendo posteriormente adquirido pelo Major Onofre José Soares no inicio do século XX. Em 1937 o Major transferiu o prédio para as religiosas. 

Dom Marcolino Esmeraldo Siqueira Dantas foi o quarto Bispo do Rio Grande do Norte e teve o mais longo governo como Bispo de 1929 a 1952 durando 38 anos.

Em principio o Colégio funcionava como internato e recebia meninas de todas as regiões do estado, como de Poço Branco, Taipú, Canguaretama, e de todo o litoral. No internato existiam duas modalidades, o chamado "patronato", que acolhia cerca de 45 meninas que não pagavam mensalidades e que diante desta condição tinham que ajudar nos afazeres domésticos, segundo a irmã Irene esta era única distinção entre estas meninas, pois o resto, como alimentação, estudos, momentos de recreio eram iguais as jovens da modalidade de "pensionato", nesta as mensalidades eram destinadas a manter o funcionamento da instituição, tendo em média 53 meninas.

Naquela época havia muitos fazendeiros, senhores de engenhos, ou que não tinha... recursos e não tinha como manter as filhas na escola pra ir todo o dia e voltar era muito caro e não tinha transporte fácil. Inclusive nos tínhamos meninas de Poço Branco, João Câmara, das praias e de outros estados. Então sentindo a necessidade dos pais criou – se uma estrutura que era comum na época e em nossa congregação

Portanto, era comum na época formar escolas religiosas principalmente porque o Estado não tinha um sistema educacional eficaz, salientando novamente que as escolas religiosas eram uma criação da Igreja como sendo uma extensão, ou seja, um projeto social para educar o indivíduo em cristo.

No colégio as internas aprendiam as primeiras letras e a serem boas donas de casa, aprendendo a cozinhar, bordar, costurar, e tinham ainda aulas de etiqueta, sempre alicerçado em bases religiosas, sendo possível notar as primeiras demonstrações de condicionamento a partir da preparação para serem boas donas de casa. As internas tinham regras e horários estabelecidos pela instituição, ao acordar rezavam e tomavam seu café da manhã e após este momento dirigiam-se as salas de aula, onde aprenderiam inúmeras atividades. As famílias normalmente ficavam satisfeitas com os resultados, pois as filhas entravam de um jeito e saiam completamente mudadas, no que diz respeito a princípios religiosos, e a própria educação pessoal. Essas internas viviam sob um regime fechado, só tinham acesso externamente à família, convivendo apenas com suas colegas de internato e a partir de uma determinada época externato. É importante ressaltar que nas décadas estudadas a metodologia educacional utilizada era fincada na estrutura tradicional com os cursos primário e ensino de 1º grau, para maior entendimento foi analisado um certificado e Histórico Escolar da época, onde características como Entidade Mantedora, e os Atos continuam o mesmo, houve uma mudança na nomenclatura da instituição, e sobre os componentes curriculares é perceptível a mudança com os novos artigos e com as Leis de Diretrizes e Bases da Educação Nacional e com a implantação da disciplina Cultura do RN promovendo uma aproximação do aluno com suas raízes conhecendo mais sua História.

No inicio apenas as irmãs davam aulas para as jovens, e com o tempo a instituição foi crescendo, e o número de religiosas se tornou incapaz para atender a demanda, tendo que ampliar, contratando mulheres que fossem capacitadas para ensinar a ler, a contar, e enquanto as irmãs cuidavam ainda das aulas de religião. Havia dois tipos vestimenta, uma para as meninas assistirem as aulas que eram camisetas de manga longa e com uma saia que ia até os calcanhares e um vestido branco para as missas, sendo todas iguais.

É possível notar o quanto o Colégio Santa Águeda foi importante para formação das meninas de Ceará – Mirim e segundo a perspectiva dessas internas se não fosse o colégio, as regras, consequentemente não seriam o que são hoje, mulheres fortes, com boas condições de vida, e com famílias estruturadas. Para estas internas os valores passados pelas religiosas deram-nas alicerce para serem boas cidadãs e humanas.

Segundo as internas, seus familiares as colocavam na instituição devido a circunstâncias delicadas de todos os gêneros, fossem por problemas de separação, ou por falecimento de mães, ou ainda pela distancia, já que na época o Colégio era a única opção perspicaz, graças a seu sistema de ensino. E como já foi observado essa instituição resguardava as meninas, ensinando-as valores, principalmente religiosos. E isto era uma característica importante para seu bom funcionamento.

É notório que o colégio, por se tratar de uma instituição com bases religiosas mantinha desde sua fundação relações com a sociedade, haja vista que, sua finalidade se detinha a um projeto social da Igreja, da Arquidiocese e do Bispo Dom Marcolino Dantas que a trouxe com o objetivo de educar as jovens de acordo com os ensinamentos de cristo.

Ceará- Mirim é um município rodeado de histórias e de personagens que a construíram de maneira prospera. O Colégio Santa Águeda entra nessa história com a missão de repassar ensinamentos e valores cristãos consequentemente formar indivíduos capazes de respondes por suas ações. A instituição será nas décadas estudadas base para a formação pessoal, primeiramente com o internato, depois com o externato dando assistência as jovens e posteriormente com o modelo misto, oferecendo a sociedade um espaço para os rapazes, para também se educarem com formação religiosa.

As atividades culturais, religiosas, esportivas causavam grandes possibilidades de se conhecer outra realidade e um momento que não era comum para época, havendo grandes mobilizações.

A instituição não era interessante a sociedade apenas por seu ensino diferenciado, mas também devido a estas ações promovidas pela mesma que chamava a atenção do social, sendo importante porque criava condições para o surgimento de concepções e realizações através de seu processo de ensino, dando a possibilidade de o indivíduo trabalhar sua interação com a coletividade, sua iniciação a sociedade, construindo visões a partir de suas experiências em grupo e principalmente a adesão compreensiva a democracia.

O colégio Santa Àgueda, nestes 80 anos, tenta manter-se apto a atender a necessidade da sociedade, contribuindo para o desenvolvimento intelectual, pessoal e social dos estudantes direcionando habilidades e capacidades para estes, orientando-os nos caminhos a serem percorridos, construindo em suas identidades atitudes e convicções para serem postas em pratica em situações reais, e socializando seus conhecimentos com a sociedade.

HISTÓRIA  DE  SANTA  ÁGUEDA

Santa Águeda é uma das maiores heroínas da Igreja primitiva. Natural da Sicília, na Itália, pertenceu a uma das mais nobres famílias do País. De pouca idade, Águeda consagrou-se a Deus pelo voto de castidade. O governador Quitiano, tendo tido notícia da formosura e grande riqueza de Águeda, acusada do crime de pertencer à Religião Cristã, mandou-lhe ordem de prisão. Águeda, vendo-se nas mãos de perseguidores exclamou: "Jesus Cristo, Senhor de todas as coisas, vós vedes o meu coração e lhe conheceis o desejo. Tomai posse da minha alma e de tudo o que me pertence. Sois o Pastor, eu sou vossa ovelha. Fazei que seja digna de vencer as tentações do Demônio".

Levada à presença do governador, este vendo-lhe a extraordinária beleza, ficou tomado de violenta paixão pela jovem e atreveu-se a incomodá-la com propostas indecentes. Águeda, indignada rejeitou-lhe a presença e elogios e declarou preferir a morte que manchar o nome de cristã. Quintiano, aparentemente, desistiu do plano diabólico, mas para conseguir os maldosos fins, mandou entregar a jovem a uma prostituta, mulher de má fama, na esperança de, na convivência com esta pessoa, Águeda se tornasse accessível.

Enganou-se porém o Governador. A mulher nada conseguiu e, depois de um trabalho inútil, durante 30 (trinta) dias pediu a Quitiano que afastasse Águeda de sua casa. Começou então o martírio da nobre siciliana. Tendo-a perante o Tribunal, Quitiano consultou-a com estas palavras: "não te envergonhas de rebaixar-te à escravidão do Cristianismo, quando pertences a nobre família"? Águeda respondeu: "escravidão de Cristo é liberdade e está acima de todas as riquezas dos Reis". A resposta a esta declaração foram bofetadas tão bárbaras, que fizeram a jovem desmaiar. Depois desta e de outras brutalidades a santa mártir foi metida na prisão, com graves ameaças de ser sujeita a maiores torturas, se não resolvesse abandonar a Religião de Jesus Cristo.

No dia seguinte foram realizados os bárbaros planos. Quitiano ordenou que a jovem fosse torturada, os membros lhe fossem deslocados e o corpo todo queimado com chapas de cobre em brasa e os seios cortados com alicates de ferro. Referindo-se a esta última brutalidade, Águeda disse ao Juiz: "Não te envergonhas de mutilar na mulher o que a tua mãe te deu para dele tirares o alimento? Após esta tortura crudelíssima, Águeda foi levada novamente à cadeia com ordem expressa de que não lhe fosse admitido nenhum tratamento a fim de curar-lhe as feridas. Deus, porém, que confunde os planos dos homens, enviou um auxílio para sua serva. Durante a noite lhe apareceu um bondoso velho, que se dizia mandado por Jesus cristo, para aliviar os seus sofrimentos e curá-la (o velho era o Apóstolo São Pedro), elogiou-lhe a firmeza e animou-a a continuar impávida no sofrimento. A visão desapareceu e Águeda, com muita admiração, viu-se totalmente curada. Cheia de gratidão, entoou cânticos, louvando a misericórdia e bondade de Deus. Os guardas, ouvindo-a cantar, abriram a porta e vendo-a curada, fugiram cheios de pavor.

As companheiras de prisão de Águeda aconselharam-na a fugir, aproveitando ocasião tão propícia. Ela, porém, disse: Deus me livre de abandonar o sofrimento antes de ter em minhas mãos, a palma da vitória. Passados quatro dias Águeda foi novamente apresentada ao Juiz. Este não deixou de exprimir admiração, ao vê-la completamente restabelecida. Águeda deu-lhe a explicação: vê e reconhece a onipotência de Deus a quem adoro; foi Ele quem me curou as feridas e me restituiu os seios. Como podes, pois, exigir de mim que o abandones? Não! Não pode haver tortura por mais cruel que seja que me faça separar-me de meu Deus. O Juiz não se conteve mais.

Tremendo de ódio e fora de si, deu ordem para que Águeda fosse despida e envolvida sobre cacos de vidro e brasas acesas. A santa sujeitou-se a mais esta ordem bárbara. De repente, sentiu-se forte tremor de terra. Uma parede bem perto de Quitiano desabou e sepultou os amigos mais íntimos do Juiz. Diante disso, o povo exclamou: "Eis o castigo que veio por causa do sofrimento de Águeda".

CONGREGAÇÃO DAS IRMÃS FRANCISCANA DE

NOSSA SENHORA DO BOM CONSELHO

Somos uma Congregação genuinamente brasileira, fundada em 1853 pelo Frade Capuchinho, Frei Caetano de Messina, na cidade de Bom Conselho – PE. Logo na fundação estava definido o nosso Carisma: Missão x Educação, quando Frei Caetano de Messina, o grande missionário, após ter construído, em mutirão, o Colégio de Nossa Senhora do Bom Conselho, entregou-o a quatro jovens preparadas anteriormente por ele. Estas, (primeiras religiosas), revestidas do hábito franciscano, são introduzidas no Colégio acompanhadas de dezoito garotas, que seriam as primeiras alunas do Colégio e da Congregação.

Foi um momento de muita emoção para o povo ao presenciar como aquelas jovens, sensíveis ao apelo de Deus, pela voz do missionário, foram pressurosas e corajosas ao entregar-se de corpo e alma, aceitando serem as primeiras pedras vivas daquela obra que se iniciava e permanece até hoje. Este fato aconteceu no dia 26 de abril de 1853. É esta a suscinta história de nossa congregação.

O que fazemos

Missão x educação é o nosso Carisma. Atuamos em Colégios e com a Pastoral Educacional, envolvendo os alunos, professores, funcionários e as famílias, e exercendo a função de professoras, gestoras, coordenadoras pedagógicas, psicopedagogas, assistente sociais.

Onde estamos

  • Colégio de Nossa Senhora do Bom Conselho - Bom Conselho – PE;

  • Colégio de Nossa Senhora de Lourdes: Palmares- PE;

  • Colégio Santa Terezinha: Catende – PE;

  • Colégio de São José: Barreiros – PE;

  • Colégio da Imaculada Conceição; Recife – PE;

  • Colégio de Nossa Senhora do Carmo: Nova Cruz – RN;

  • Colégio de Nossa Senhora de Fátima: Natal – RN;

  • Colégio de Santa Águeda: Ceará-Mirim – RN;

  • Externato São Francisco de Assis: Aracaju – SE;

  • Orfanato Santa Rita de Cássia: RJ;

  • Comunidade Sagrada Família: - RJ;

  • Temos ainda três pequenas comunidades de inserção: no Maranhão, Bahia e Goiás.

Irmãs Franciscanas de Nossa Senhora do Bom Conselho, Congregação genuinamente brasileira, fundada em 1853 na cidade de Bom Conselho – PE. (antiga Papacaça) pelo missionário Capuchinho, Frei Caetano de Messina. Quem foi Frei Caetano de Messina: religioso da Ordem dos Frades Menores Capuchinhos, nascido em 1807, na vila de Castanea da Província de Messina, na Itália. Seus pais: Caetano Lentini e Maria PantiLentini. Foi batizado com o nome de Santi e foi educado na fé cristã, crescendo no amor de Deus, aos irmãos e na devoção a Maria. Fez os estudos elementares na sua cidade Natal, continuando mais tarde no convento de Santo Antônio, em Messina. A esta altura tudo indica, já se sentia chamado à vida religiosa missionária.